Compliance e Anticorrupção

Panamá Papers: surge maior vazamento sobre corrupção global

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ na versão inglesa) publicou neste domingo (3) o maior vazamento sobre corrupção da história, baseado em 11,5 milhões de arquivos secretos obtidos a partir de um escritório de advocacia no Panamá.

A rede investigou durante um ano um esquema global de ocultação de patrimônio e dinheiro por parte de líderes mundiais, chefes de Estado e figuras públicas. Os documentos, reunidos como Panama Papers, expõem as participações no exterior em esquemas montados em paraísos fiscais de 12 líderes mundiais atuais e passados, além de dados sobre as atividades financeiras de outros 128 políticos e funcionários públicos de diferentes países.

As informações contidas no vazamento contemplam as atividades da empresa Mossack Fonseca de 1970 e até 2016. Reunidas, formam um vazamento maciço superior ao total combinado de outros escândalos mundiais como o Wikileaks (em 2010), Offshore Leaks, assim como aos documentos de serviços secretos fornecidos a jornalistas por Edward Snowden em 2013.

Um dos principais poderosos sugados pelo “furacão” é o presidente russo Vladimir Putin. Segundo o Guardian, apesar de Putin não aparecer em nenhum dos registros, as investigações revelam que seus amigos Yuri Kovalchuk e Sergei Roldugin ganharam milhões em negócios, que aparentemente não poderiam ter sido efetuados sem o seu patrocínio. Seus associados secretamente ocultaram até US$ 2 bilhões no exterior por meio de bancos e companhias fantasmas, tornando-se “fabulosamente ricos”.

Além do presidente russo, a lista contempla outras figuras políticas e famosos, como Xi Jinping, presidente da China; Petro Poroshenko, presidente ucraniano; Sigmundur Gunnlaugsson, primeiro-ministro islandês; os reis Mohammed VI e Salman, de Marrocos e Arábia Saudita, respectivamente; o pai do primeiro-ministro britânico, David Cameron, vários altos membros da FIFA; Lionel Messi e o seu pai e o astro de comédias de ação Jackie Chan.

Brasil

No Brasil, o UOL, o jornal “O Estado de S.Paulo” e a RedeTV!, que participam da rede global de jornalistas, revelaram neste domingo as primeiras informações sobre esta fuga fiscal gigante e também a relação com os escândalos de corrupção por aqui.

Para se ter uma ideia, a Mossack Fonseca já estava no radar da operação Lava Jato em janeiro de 2016, quando se suspeitava que a firma teria ajudado a ocultar o nome dos verdadeiros proprietários de um apartamento tríplex no Guarujá (SP).

As descobertas mais recentes mostram que as conexões vão muito além do possível caso do imóvel: a Mossack Fonseca criou ao menos 107 offshores para pelo menos 57 pessoas ou empresas implicadas no escândalo da Petrobras. Entre os nomes citados direta ou indiretamente estão os de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e João Lyra (PTB-AL).

 

Fonte: Exame

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